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C I N
E M A
C R Í T I C A
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J U L H O / 2 0 0 9
ATUALIZAÇÕES QUINZENAIS
HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO
(II y a longtemps que je t'aime, 2008)
Só poderia ser muito bom um filme que toma seu título da encantadora cantiga infantil “A la claire fontaine”.
Enquanto sobem os créditos finais de Il y a longtemps que je t’aime – e procuramos nos bolsos um lenço para secar as lágrimas, nos damos conta de que acabamos de ver algo muito especial.
Não seria
exagero conceber uma moção para alterar o
último Oscar de Melhor Atriz. Afinal de
contas, a britânica Kristin Scott Thomas,
que sempre transitou com facilidade através
do Canal da Mancha, está simplesmente
fabulosa no filme. Trata-se de um papel para
ficar na memória; mais do que uma
interpretação, uma encarnação; superior, sem
sombra de dúvida, aos cinco desempenhos
combinados das brilhantes atrizes indicadas
ao Prêmio da Academia em 2009.
Perto da
Juliette Fontaine de Scott Thomas, a Hanna
Schmitz de Kate Winslet (O Leitor)
chega a parecer ridícula.
Juliette tenta retomar a vida depois de passar quinze anos na prisão, agora morando na casa de sua irmã mais nova Léa (Elsa Zylberstein, outra excelente atriz), que era muito jovem quando se separaram. Não sabemos exatamente que crime ela cometeu (pelo menos até um dado momento), embora estejamos cientes de que foi algo gravíssimo, causador de traumas irreparáveis. E quando, chocados, descobrimos o que ela fez, ainda resta saber por quê. Esse é um filme de revelações graduais, que recompensa a paciência do espectador. Há qualquer coisa de fascinante a respeito de Juliette, essa misteriosa esfinge que permanece quase que inescrutável enquanto, sem qualquer intenção, faz os outros se abrirem com ela. A trilha sonora, ultramoderna e aparentemente sem imaginação, foi muito bem concebida, pois espelha com seu minimalismo as inflexões anímicas da protagonista.
Tradicionalmente verbosos, filmes franceses parecem-se mais orelhas de livros ou fotogramas de teatro do que propriamente cinema. Il y a longtemps padece de algumas dessas limitações, mas seu diretor, o romancista Philippe Claudel, consegue superar a maioria delas – mesmo sem eliminá-las, apresentando novas possibilidades cinematográficas. O jovem realizador demonstra não apenas sofisticação literária e dramática, mas também uma notável sensibilidade visual.
E se o
espectador consegue antecipar um pouco do
desenvolvimento da trama, não se justifica
qualificá-la de previsível. No fim das
contas, o filme até possui alguns defeitos,
mas é preciso ser muito mesquinho para
dar-lhes importância.
O que se vê na tela é um drama muito poderoso, que retrata a vida em toda sua tragédia e beleza, fincando garras no peito do espectador. Trata-se de um filme de esmagadora beleza sobre recomeçar a viver. No cerne, o sentimento que une duas irmãs, um amor maravilhoso e indestrutível. Não há apenas uma, mas incontáveis cenas memoráveis em seu desenrolar, além de um elenco perfeito. E, com o risco de soar repetitivo – ou até mesmo incauto, afirmo: em termos de peso dramático, o que Kristin Scott Thomas consegue aqui é comparável ao que Maria Callas fazia nos palcos.
Pensar que essa foi apenas a estréia de Claudel na direção e, mais, que ainda se pode realizar uma obra de tamanha seriedade nesses tempos é no mínimo alentador. Em poucas palavras, un film incontournable!
Veja onde ele está passando em: http://www.moviemobz.com/film/profile/mid/1016
Por Túlio Sousa Borges, [email protected]
PROIBIDA
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