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M E D I C I N A     E     S A Ú D E
Hepatite C (VHC)

 

Visão Geral:

            O vírus da hepatite C é transmitido quando o sangue contaminado por ele penetra na corrente sanguínea através de transfusões, acupuntura, agulhas ou seringas compartilhadas, tatuagens, piercings, instrumentos de manicure, ferimentos, entre outros.

            Como acontece com o VHB, numa parcela significativa de pacientes o meio de transmissão não é identificado.

            Cerca de 80% das infecções pelo VHC evoluem para casos crônicos. Atualmente, a cirrose e o câncer de fígado relacionados à hepatite crônica C são a maior causa de transplantes nos Estados Unidos.

            O VHC apresenta vários subtipos, os genótipos, que são importantes porque apresentam diferentes respostas ao tratamento. O genótipo 1, por exemplo, apresenta resposta mais difícil do que os demais (não-1).

            Segundo as estimativas da OMS, existem 170 milhões de pessoas contaminadas no mundo. No Brasil, esse número é de aproximadamente 3,2 milhões (1,88%).

As principais vias de transmissão do VHC:

1) Transfusão de sangue e derivados do sangue;

2) transplante de órgãos ou tecidos;

3) através de agulhas, seringas ou ferimentos;

4) da mãe para o bebê (pouco freqüente);

5) contato sexual sem preservativo (pouco freqüente);

6) Profissionais de saúde, agentes penitenciários e os usuários de drogas injetáveis são os maiores grupos de risco para a infecção pelo VHC através de transmissão por sangue contaminado.

            Também pode ocorrer contaminação através do compartilhamento de materiais como escovas de dente, barbeadores lâminas e utensílios de manicure contaminados. Tatuagens e piercings feitos com agulhas contaminadas também transmitem o vírus.

            Aproximadamente um terço dos pacientes contaminados pelo VHC não sabem o modo como contraíram a doença.

Prevenção:

            Não existe vacina contra a hepatite C. Poucos pacientes desenvolvem anticorpos contra as proteínas virais do VHC; assim, a vacinação não tem se mostrado eficaz.

            Na ausência de vacinas, a principal forma de prevenção contra o VHC é testar todo sangue coletado nos bancos de sangue, para assegurar que tanto ele como os seus derivados estejam livres do VHC. Também devem ser realizados exames em outros objetos de doação, como órgãos ou sêmen.

            Além disso, são necessários os cuidados com materiais que possam conter sangue contaminado, como alicates de unha, lâminas, barbeadores, escovas de dente, agulhas de seringas compartilhadas, entre outros.

            Uma das principais forma de prevenir a transmissão da hepatite C é examinar todo o sangue coletado nos bancos de sangue.

Sintomas:

            Na fase aguda da infecção os sintomas são leves ou ausentes, por isso ela raramente é diagnosticada nesse período.

            Os sintomas da infecção crônica também são leves, pelo menos no início. Dessa maneira, é comum o portador conviver vários anos com a doença sem saber que a possui. Na maioria das vezes, acaba por descobrir acidentalmente durante exames de sangue de rotina ou nos exames de triagem para doação de sangue.

            Nos casos em que o paciente apresenta sintomas, esses podem ser síndrome gripal, fadiga, falta de apetite, náuseas, vômito, febre e dores abdominais leves.

Infecções concomitantes:

            Estar contaminado com um tipo de hepatite não significa que você está isento de contrair outras formas de infecções. Pacientes com hepatite C que também contraem hepatite A corem um sério risco de ter hepatite fulminante - uma forma de evolução muito rápida e mortal da doença. Por isso, é importante que portadores da hepatite C sejam vacinados contra hepatite A e B.

            Existem também vários casos de pacientes contaminados com os vírus da hepatite C (VHC) e HIV. Nesta situação a hepatite tente a apresentar uma maior velocidade de progressão, podendo ocorrer cirrose mais precocemente. Este problema é preocupante já que os pacientes com AIDS têm apresentado excelentes resultados com o tratamento do HIV e, desta maneira, a hepatite passa a ser uma nova limitação a sua saúde. Vários estudos que investigam opções de tratamento para estes pacientes estão em andamento.

 

Como a hepatite C é diagnosticada?

            São feitos exames de sangue específicos, como:

Enzimas do fígado: Quando o fígado é atacado pelo vírus e as células começam a ser destruídas, as enzimas presentes dentro dessas células se elevam na corrente sangüínea. Os médicos fazem um teste sangüíneo que mede o nível da enzima ALT (alanina aminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase). O próximo passo é determinar se é um vírus de hepatite que está causando o aumento do nível de enzimas hepáticas.

Anticorpos: os médicos usam testes tipo ELISA e RIBA para detectar a presença de anticorpos que seu organismo produz contra o vírus da hepatite C. Um teste de anticorpo VHC (anti-VHC ou anti-HCV) positivo indica exposição ao vírus, mas não diz se a infecção está presente ou se já foi curada.

Presença do RNA do vírus: Os médicos utilizam o teste PCR (reação de polimerase em cadeia) para procurar o RNA do VHC. O RNA é um conjunto de proteínas que carrega as informações sobre o vírus. Esse teste pode indicar se o vírus está presente no organismo. Há também um teste que verifica a carga viral, porém não é muito utilizado devido a ausência de padronização do método (uniformização do método).

Biópsia: A biópsia é a retirada de um fragmento do tecido, nesse caso, o fígado, para examinar a natureza das alterações nele existentes. As biópsias freqüentemente são solicitadas para distinguir hepatite viral de hepatite causada por outros fatores, como o alcoolismo, por exemplo.

            Além disso, indica também o grau do dano hepático (se existe fibrose ou cirrose e qual é o estágio). É importante para decidir-se sobre a necessidade ou não de tratamento.

            A hepatite C é uma doença de notificação compulsória, ou seja, o médico que a diagnosticou deve, obrigatoriamente, informar a secretaria de saúde do seu estado.

Como é a evolução da hepatite C?

            A hepatite C é uma doença que evolui lentamente e tem várias conseqüências possíveis:

1. Pacientes que não apresentam sintomas (assintomáticos) - Cerca de 70% a 90% dos portadores crônicos de hepatite C, não apresentam sintomas. Se ocorrem, são muito leves e por isso a infecção pode levar muitos anos para ser diagnosticada.

2. Infecção aguda - O período de incubação varia de 2 semanas a 6 meses e os pacientes, na maior parte das vezes, não apresentam sintomas clínicos.

3. Infecção crônica - Em adultos, a progressão da doença para a forma crônica é muito maior na hepatite C (cerca de 80%) do que na hepatite B (10%). Como já vimos, nesse caso, a doença pode danificar muito o fígado e progredir para cirrose ou até câncer.

            Existem alguns fatores que podem indicar a evolução para a hepatite crônica C:

Tratamento:

            O tratamento visa prevenir as complicações provocadas pela hepatite C (hepatite crônica, cirrose e câncer de fígado). O tratamento ideal deveria eliminar completamente o VHC do organismo do paciente, porém, não é possível atingir esse objetivo em todos os casos, com os medicamentos disponíveis atualmente.

            O único tratamento com eficácia comprovada contra a hepatite crônica C é o interferon alfa.

            Nenhuma outra droga comprovou ser eficaz nessa doença, embora muitas ainda estejam em estudo clínico. A combinação com uma droga denominada ribavirina tem demonstrado duplicar a taxa de resposta sustentada ao tratamento com interferon. Agentes antivirais, como o aciclovir, não demonstraram eficácia em pacientes com hepatite C.            

            O uso de agentes imunossupressores, como por exemplo, os corticosteróides - drogas que imitam os efeitos dos hormônios da glândula supra-renal, suprimindo a inflamação e a atividade dos leucócitos - está associado a uma progressão mais rápida para a cirrose, não sendo, portanto, indicados.

Hepatite Aguda C: Alguns estudos foram conduzidos durante a fase aguda da infecção pelo VHC e os resultados demonstraram que a terapia com IFN- produz redução significativa no número de pacientes que desenvolvem a infecção crônica.

            É pouco provável, contudo, que a droga seja administrada na fase aguda, devido à relativa ausência de sintomas da hepatite aguda C, o que torna o diagnóstico muito difícil.

Hepatite Crônica C: IFN-, combinado com a ribavirina, é o tratamento padrão para pacientes com hepatite crônica C, durante 12 meses para o genótipo 1 e 6 meses para os genótipos não-1. Essa é a terapia utilizada atualmente no Brasil.

            Não há critérios universalmente aceitos para avaliar a resposta definitiva à terapia. A eficácia, assim, deve ser medida em termos de "cura", ou seja, eliminação completa do vírus e prevenção das lesões ao fígado.

            Entre 50% a 85% dos pacientes respondem inicialmente à terapia, obtendo níveis normais de enzimas do fígado no final do tratamento (resposta primária ou resposta completa ao final do tratamento). Aproximadamente 30% dos pacientes que utilizam a terapia combinada (IFN + ribavirina) obtêm resposta favorável por longos períodos (resposta sustentada).

            O tratamento para hepatite crônica C no Brasil é a combinação interferon alfa + ribavirina por 1 ano para os genótipos 1 e 6 meses para os genótipos não-1.

            A terapia combinada de interferon e ribavirina não deve ser utilizada por mulheres grávidas, pois oferece o risco significativo de má formação do feto.

            Mulheres não devem começar o tratamento até que se certifiquem de que não estejam grávidas, através de um exame adequado. Homens e mulheres em idade fértil, devem fazer uso de métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento e por mais seis meses após o término.

Convivência com o problema:

            É muito importante aprender a estar informado sobre a hepatite C. Mantenha acompanhamento médico, decidindo junto com o especialista o melhor caminho para tratar a hepatite.

            O tratamento para hepatite C pode causar vários efeitos colaterais. Se você está em tratamento, tenha em mente que todos esses efeitos são passageiros e procure seguir as orientações do médico, aplicando corretamente as doses do medicamento e nos espaços de tempo prescritos.

            Alguns conselhos básicos podem ajudar a reduzir os problemas relacionados ao uso da medicação:

1- Para aliviar febres e dores de cabeça, você pode utilizar o analgésico paracetamol, sempre com a aprovação prévia de seu médico;

2- aplicando as injeções de interferon à noite, antes de deitar-se, os picos de concentração do medicamento (e conseqüentemente, os picos dos efeitos colaterais) são atingidos durante o sono;

3- procure evitar situações estressantes e não se desgaste fisicamente;

4- sempre que possível pratique exercícios leves, como caminhadas;

5- tenha uma dieta equilibrada.

            Geralmente os efeitos colaterais vão diminuindo após as primeiras semanas de tratamento e a maior parte dos pacientes consegue viver normalmente durante a terapia.

            Quando houver qualquer dúvida, converse francamente com seu médico. Se necessário, converse também com seus familiares, amigos e até mesmo seu empregador sobre a redução de suas tarefas.

            Procure encontrar nos médicos, enfermeiros e associações de pacientes, o suporte necessário. Os grupos de portadores de hepatite, organizam reuniões e os freqüentadores sentem-se mais encorajados a fazer o tratamento, além de aprenderem muito sobre como encarar o novo desafio com valiosas dicas de qualidade de vida.

            Já existem no Brasil vários Grupos de Apoio a portadores da hepatite C e, dentre eles, podemos relacionar os seguintes e-mails:

- grupo.bsb@globo.com
- grupoesperanca@hotmail.com
- transpatica@transpatica.org.br

            Há, também, um excelente site que deve ser visitado:

http://br.geocities.com/hepatite_c/

            Sugerimos, ainda, adquirir o livro "Convivendo com a hepatite C"  que poderá ser comprado diretamente do autor Carlos Varaldo, através do e-mail cvaraldo@yahoo.com. É uma obra indispensável aos portadores e aos familiares.

Mais informações e referências bibliográficas:

1. FOCACCIA, Roberto. Hepatites virais. 1.ed. São Paulo. Atheneu, 1997.
2. Protocolo técnico para tratamento da hepatite C - Ministério da Saúde, junho de 2000.
3. SCHINAZI, Raymond F. et al. Therapies for viral hepatitis. 1.ed. London. International Medic Press, 1998.
4. SILVA, Adávio de Oliveira; D'ALBUQUERQUE, Luiz A. Carneiro. Doenças do fígado Volume I e II. 1.ed. Rio de Janeiro. Revinter, 1996.

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